De cinéfilo a cineasta
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| Cineasta Natalino dos Santos |
Me chamei Natalino dos Santos, sou camocinense, nasci em 28 de dezembro de 1989. Como qualquer criança dos anos 90, algo marcou minha vida a televisão. Nem todos tinham condições para tê-la em casa, eram pretos e brancos, muitos usavam aqueles plásticos coloridos sobre a tela dá para dar cor ao que passava. Lembro vagarosamente, meados de 3 para os 4 anos, uma peregrinação no escuro de casa em casa na localidade de Córrego do Meio (Granja) para assistir aquelas TVs que funcionavam a bateria de carro. Tinha muito era chiado e pingos na tela, ali e acolá aparecia um vulto, mas era maravilhoso, fechar eu banhava cedo, arrumava, penteava o cabelo e juntava todo o mundo nas estradas de terra, os "cachorros-peba'' eram os batedores na frente. Ainda nessa época lembro que os canais tinham programado para entrar no AR e, aí só no outro dia.
Quando estava em Camocim, já no fim dos anos 90, eu morava no bairro Apossados I, eu ia para a escola de manhã e na volta eu ia de janela e janela visualizada, alguns fechavam a janela na minha cara, outros perguntavam se eu não ia almoçar. Nessa fase da minha vida, as tvs já eram coloridas; quanto e quantas vezes fiquei pendurado nas janelas dos vizinhos para assistir qualquer coisa. Dos desenhos matinais ao jornal da noite, tudo pra mim era bom da conta, oxê.
Mas, o instinto do cineasta já palpitava no meu peito, os filmes na madrugada e à tarde me fascinavam, nunca tinha visto coisa igual. Assim foi meu primeiro contato com cinema, ou melhor dizendo, contato ocular. Quando não assistia nas janelas dos vizinhos, quando deixava, eu dava um jeito de assistir pela brecha da porta, por cima da parede. as vezes me oferecia no bom sentido, de ir dormir na casa de alguém que tinha televisão, só para assistir os filmes na madrugada; nem todas as vezes dava certo. Assim filmes foi minha infância, assisti muitos, eu fiz um cronograma entre os canais para saber os filmes que iriam a ser exibidos, e para saber os filmes que iriam passar a noite eu peguei toda a programação do canal naquele dia no jornal impresso, assim eu não perdia tempo ou sono para ver filmes bestas, aqueles que eu não tinha interesse.
Por volta dos meus 14 anos, estudei na escola Francisco Ottoni, no bairro da Boa Esperança aqui em Camocim, lá aconteceram minhas primeiras sessões de cinema, lembro de cada sexta-feira o professor Cláudio levava as fitas VHS para a turma assistir, dois filmes marcaram minha vida naquele momento, peço que não riem do segundo título. O primeiro foi Homem-Aranha e o segundo foi O Rato Humano, pode rir, depois procurar na Web. Gêneros totalmente diferentes que devido ter visto, assistido tão próximo, foi aí que motivou a começar no mundo da sétima arte. Para quem não tinha televisão, para mim era uma sala de cinema.
Esses filmes me despertaram como cineasta, como se fosse aquele fato inusitado e famoso da ciência onde uma maçã cai sobre a cabeça do físico Sir Isaac Newton, despertando a Lei da Gravidade, assim foi eu naquele momento. A cada segundo que assistia o filme, eu conseguia ver como cada take, cada trucagem era feita e uma voz soava na minha cabeça; eu posso e sei fazer isso. Bom, não com aquela estrutura e tecnologia, mas, me referia em dirigir, em criar, em editar, fazer filmes em outras palavras. Até hoje brincou com o ex-professor Cláudio Santos, “você é o grande responsável por eu ter me tornado de um cinéfilo em cineasta” ele começa a rir todas as vezes.




